Usina de dessalinização na Praia do Futuro obtém licença de instalação após anos de atrasos

A usina de dessalinização prevista para a Praia do Futuro, em Fortaleza, deu um passo importante para sair do papel. O projeto, conduzido pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), obteve da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) a licença de instalação, documento que autoriza o início das obras. A expectativa é que os trabalhos comecem ainda em 2025, com conclusão prevista em até dois anos.

Licença aprovada após polêmicas sobre cabos submarinos

O projeto enfrentou forte oposição desde sua concepção. Empresas de telecomunicações questionaram a localização inicial da usina, afirmando que a proximidade com cabos submarinos de fibra óptica poderia colocar em risco a internet do Brasil e da América Latina. Esses cabos, que chegam à Praia do Futuro e se conectam ao restante do país, são responsáveis por 99% do tráfego de dados.

Após meses de debates, o Governo do Ceará cedeu e autorizou a mudança do local da instalação. A usina permanece na Praia do Futuro, mas agora a mais de mil metros do ponto previsto originalmente, afastando o risco de impacto aos cabos. A realocação também inclui a estrutura de captação de água do mar.

Com a licença ambiental emitida pela Semace, o próximo passo será a obtenção do alvará de construção junto à Prefeitura de Fortaleza e a aprovação do projeto de canteiro de obras. Como a faixa de areia é de domínio da União, a Cagece também precisa da autorização da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) para instalação dos dutos.

Estrutura e funcionamento da usina

A usina terá capacidade de produzir 1 metro cúbico de água por segundo — o equivalente a mil litros potáveis por segundo. O processo será feito por osmose reversa, tecnologia que separa o sal da água por meio de pressão sobre membranas filtrantes.

O ciclo passa por três etapas principais:

  • Pré-tratamento, no qual a água é filtrada antes do processo;

  • Osmose reversa, quando ocorre a separação do sal;

  • Pós-tratamento, em que a água recebe flúor, minerais e desinfecção, ficando própria para o consumo humano.

De cada 2,3 mil litros de água captada no mar, mil litros se tornam potáveis ao fim do processo. A água tratada será encaminhada aos sistemas de abastecimento da Cagece, reforçando a segurança hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza.

Investimento e impacto esperado

O projeto será executado por meio de uma parceria público-privada com o consórcio SPE Águas de Fortaleza, que prevê investimento de R$ 3,2 bilhões.

Anunciada inicialmente em 2017, a usina sofreu uma série de atrasos. A expectativa é que, com a licença de instalação finalmente aprovada, Fortaleza avance em direção a uma solução estratégica contra os efeitos da escassez hídrica e do aumento da demanda por água potável.

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