Reunião em Brasília pode definir futuro da federação União Brasil–PP no Ceará

Uma reunião prevista para ocorrer em Brasília pode ser decisiva para o futuro da federação entre União Brasil e Progressistas (PP) no Ceará. Antes mesmo da homologação oficial da aliança pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o arranjo partidário já enfrenta impasses e disputas internas, especialmente em relação ao posicionamento da federação nas eleições estaduais de 2026 e ao alinhamento — ou não — com o governador Elmano de Freitas (PT).

A deputada federal Fernanda Pessoa (União Brasil) afirmou que aguarda uma sinalização do presidente nacional do partido, Antônio Rueda, para a realização do encontro. Segundo a parlamentar, a reunião reuniria lideranças cearenses que hoje defendem posições opostas dentro da sigla. De um lado, Fernanda Pessoa e o deputado federal Moses Rodrigues defendem o apoio à reeleição de Elmano. Do outro, o presidente estadual do União Brasil, Capitão Wagner, e o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio sustentam que o partido — e a futura federação — devem fazer oposição ao governo petista no Estado.

A expectativa é de que o encontro sirva para “bater o martelo” sobre dois pontos centrais: quem comandará o União Brasil no Ceará e qual será o posicionamento da legenda diante da federação com o PP. Fernanda Pessoa declarou estar pronta para assumir a presidência estadual do partido, possibilidade já sinalizada publicamente pelo próprio governador Elmano em ocasiões anteriores.

Apesar disso, fontes internas ouvidas reservadamente indicam que a decisão pode já estar tomada nos bastidores e que a reunião sequer venha a acontecer. Segundo essas fontes, ligadas ao campo de oposição ao PT, Antônio Rueda já teria retornado ao Brasil e definido os rumos da sigla, embora não tenha havido confirmação oficial.

Enquanto a definição não ocorre, movimentos locais reforçam o racha interno. Em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza, um evento do Governo do Estado evidenciou o alinhamento entre a gestão Elmano e uma ala do União Brasil ligada ao prefeito Roberto Pessoa, pai de Fernanda. A presença de autoridades estaduais e discursos de cooperação reforçaram a aproximação institucional entre o governo petista e parte do partido.

No Progressistas, o cenário é mais estável. Lideranças como o deputado federal AJ Albuquerque e o secretário estadual das Cidades, Zezinho Albuquerque, defendem a permanência na base governista, mesmo que a federação venha a adotar posição formal de oposição, com liberação individual dos parlamentares.

Já no União Brasil, a chegada de Roberto Cláudio à sigla fortaleceu o campo oposicionista, que aposta na construção de uma candidatura majoritária ao Governo do Estado em 2026. Caso a federação se alinhe ao PT, aliados de Wagner e RC não descartam a possibilidade de saída do partido.

A federação União Brasil–PP aguarda homologação do TSE até abril, prazo limite para valer nas eleições de outubro. Pelo regramento eleitoral, as siglas deverão atuar como uma única legenda por pelo menos quatro anos. No Ceará, esse arranjo tende a produzir vencedores e derrotados antes mesmo de sua formalização oficial, redesenhando o tabuleiro político para 2026.

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