Censo 2022: Mais de 445 mil pessoas vivem em unidades de conservação no Ceará

Maioria dos moradores está em áreas de proteção ambiental; Parque do Cocó está entre os mais populosos do Brasil

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 445.413 pessoas vivem dentro dos limites de unidades de conservação no Ceará. A informação é do Censo Demográfico de 2022, que considerou 80 unidades no estado, entre elas Áreas de Proteção Ambiental (APA), parques estaduais, reservas extrativistas, estações ecológicas, entre outros.

De acordo com o levantamento, 46 das 80 unidades registraram presença de moradores. O número indica a complexidade da convivência entre ocupações humanas e a preservação ambiental.

Unidades de conservação com mais moradores

As unidades de uso sustentável, como as APAs, concentram o maior número de habitantes. Veja as cinco mais populosas:

  • APA Chapada do Araripe: 133.776 moradores (somente no CE)

  • APA Serra da Ibiapaba: 122.041 moradores

  • APA do Rio Maranguapinho: 50.641 moradores

  • APA Serra de Baturité: 30.992 moradores

  • APA Serra da Meruoca: 29.484 moradores

A Chapada do Araripe, que também abrange municípios de Pernambuco e Piauí, ultrapassa 200 mil habitantes no total. Já a Serra da Ibiapaba soma mais de 350 mil moradores nos dois estados em que se estende (CE e PI), sendo a 8ª APA mais populosa do Brasil.

Parque do Cocó: proteção integral e pressão urbana

O Parque Estadual do Cocó, localizado na Região Metropolitana de Fortaleza, é uma unidade de proteção integral — ou seja, não permite moradia ou exploração de recursos. Mesmo assim, foi registrado que 4.172 pessoas vivem dentro da área. O local é alvo recorrente de invasões, especulação imobiliária e disputas por moradia.

Criado com previsão para manter comunidades tradicionais, como as da Sabiaguaba, o parque está entre os dez mais populosos do Brasil dentro dessa categoria, o que reforça os desafios enfrentados para a preservação plena da área.

Urbanização avança sobre áreas protegidas

O caso da APA do Rio Maranguapinho é um exemplo do avanço urbano sobre áreas que, mesmo com regras de uso sustentável, enfrentam problemas de ocupação desordenada. Com território que passa por 40 bairros de Fortaleza, Maracanaú e Maranguape, a APA abriga mais de 50 mil pessoas, sendo a terceira mais habitada no Ceará.

Especialistas alertam que, apesar de algumas áreas permitirem ocupação, é necessário rever políticas públicas para garantir preservação ambiental e qualidade de vida.

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