Aumento reflete mudanças sociais, educacionais e econômicas; idade média para ter filhos também cresceu
O Ceará registrou 17,5% de mulheres entre 50 e 59 anos sem filhos, segundo o Censo 2022, do IBGE. O índice é o terceiro maior do país, atrás apenas do Rio de Janeiro (21%) e São Paulo (17,9%), e o maior do Nordeste. Em 2010, essa proporção era de 12,4%, revelando um crescimento de 5,1 pontos percentuais em 12 anos.
Fecundidade caiu no Ceará e no Brasil
No estado, a média de filhos por mulher caiu de 3,8 em 2010 para 2,5 em 2022. A taxa de fecundidade total também recuou: de 1,9 para 1,55 no Brasil e de 1,51 no Ceará. O número indica o envelhecimento da curva de fecundidade, com mais mulheres optando por ter filhos em idade mais avançada — ou não tê-los.
Escolaridade, cor e religião influenciam decisão
Mulheres brancas e com ensino superior tendem a ter filhos mais tarde. No Ceará, a idade média é de 29,2 anos entre as brancas e 31,5 anos para as mulheres com ensino superior completo. Mulheres evangélicas têm a maior taxa de fecundidade (1,74 filhos por mulher), seguidas por católicas (1,49) e sem religião (1,47).
Fatores sociais impactam maternidade
Segundo o demógrafo Júlio Romero, o acesso à educação, à contracepção e a mudanças de valores influenciam fortemente a queda da fecundidade. Ele destaca que o dilema entre carreira e maternidade é um dos principais desafios enfrentados por mulheres que desejam ter filhos, principalmente em contextos com pouca estrutura de apoio.
“Outras formas de maternar”
A história de Vanda Costa, 66, exemplifica essa transformação. Sem filhos biológicos, ela desempenhou papel materno cuidando de sobrinhos e familiares. “Viver esse amor é muito gratificante”, afirma. Para ela, a ausência de filhos abriu espaço para outras realizações pessoais, mantendo uma vida social ativa e significativa.



