Venezuelanos que vivem no Ceará acompanham com atenção e apreensão os desdobramentos políticos na Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, anunciada no último sábado (3). O episódio, resultado de uma operação militar em território venezuelano, reacendeu sentimentos contraditórios entre imigrantes: alívio, esperança, medo e incerteza sobre o futuro do país.
Morando no Ceará há seis anos, a venezuelana Ysis Rocio Avila Jaimes deixou a Venezuela em meio à grave crise econômica que comprometeu as condições básicas de sobrevivência da população. Segundo ela, a situação se tornou insustentável, especialmente para famílias com filhos. “Um salário mínimo não dava nem para alimentar uma pessoa. Ver filhos dormirem com fome é algo muito cruel”, relatou.
Mesmo distante fisicamente, Ysis mantém contato constante com familiares e amigos que permanecem na Venezuela. De acordo com os relatos recebidos, o clima no país é de tensão e cautela. A população tem sido orientada a permanecer em casa, economizar energia e estocar água, alimentos e combustível, diante do receio de apagões e novos episódios de violência.
Ao tomar conhecimento da captura de Maduro, Ysis descreve uma reação marcada por forte emoção. Para ela, o episódio despertou sentimentos de esperança em um futuro diferente. Ainda assim, reconhece que o momento exige prudência. “Muitos venezuelanos querem voltar para reconstruir o país, mas agora não é o certo. É preciso estabilidade, emprego e segurança”, afirmou.
A apreensão também é compartilhada por quem retornou recentemente ao país. Sofia Salazar, que viveu em Fortaleza por seis anos e voltou à Venezuela em dezembro de 2025, relata um cenário de insegurança, mesmo em regiões afastadas da capital. Moradora do estado de Monagas, ela afirma que, apesar da relativa tranquilidade local, o medo do desabastecimento tem levado a longas filas nos supermercados.
Segundo Sofia, moradores estão comprando alimentos e produtos de higiene por precaução, sem saber como a situação política pode evoluir nos próximos dias. Em Caracas, durante a operação militar, foram registradas explosões, incêndios e intensa movimentação aérea, aumentando a sensação de instabilidade em todo o país.
A captura de Maduro abriu uma disputa política e jurídica sobre a condução do governo venezuelano. Embora a Constituição preveja a posse da vice-presidente em casos de ausência do chefe do Executivo, a situação segue cercada de incertezas. Para venezuelanos dentro e fora do país, o momento é de expectativa, cautela e esperança de que a crise possa, enfim, dar lugar a um processo de reconstrução nacional.



