Curso capacita alunos para restaurar obras raras da Biblioteca Pública do Ceará

Formação une teoria e prática no cuidado com exemplares históricos do acervo estadual

Um grupo de 15 alunos da Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho (EAOTPS) participa de um curso voltado à conservação e restauração de obras raras da Biblioteca Pública Estadual do Ceará (Bece). A formação faz parte do Curso de Conservação e Restauração de Bens Patrimoniais – Segmento Papel, realizado em parceria com a Bece.

A capacitação teve início em junho e segue até 23 de julho. A proposta é unir teoria e prática para qualificar estudantes na preservação de obras históricas. O trabalho prático é feito no laboratório da própria biblioteca, onde os alunos cuidam de 15 títulos raros como verdadeiros “médicos de livros”.

Livros restaurados preservam a história do Ceará

Entre as obras recuperadas estão títulos que marcaram a cultura literária cearense, como Dolentes (1897), de Lívio Barreto — referência do simbolismo no Brasil — e O Cearense na Metrópole Brasileira (1923), de Jocelyn Luiz dos Santos.

A bibliotecária e restauradora Verônica Lima, responsável pela criação do laboratório de restauro da Bece, explica que os livros escolhidos seguem critérios de raridade, relevância histórica e importância para a memória local. “Desde cedo a gente já começa a cuidar do livro cearense. Cuidar para não precisar restaurar”, afirma.

Técnicas minuciosas garantem qualidade no restauro

Após as aulas teóricas, os alunos iniciam o contato direto com as obras sob a orientação do professor Luiz Evi Braga. O processo envolve etapas rigorosas como higienização, teste de pH, banho alcalino, reparos com polpa de papel e reencadernação. Tudo é feito com instrumentos precisos e equipamentos de proteção individual.

Cada exemplar demanda um cuidado específico. Segundo o professor, o tempo médio de restauração varia entre três e quatro semanas. “O mais importante da restauração é saber que você está lidando com a história, com a sua cultura”, destaca.

Experiência profissional e impacto cultural

Para alunos como Ana Luiza e Lucas Rodrigues, o curso representa mais do que capacitação técnica: é uma oportunidade de preservar a memória cearense. Ana, bibliotecária e apaixonada por restauro, vê a experiência como uma forma de valorizar a história do Estado. Já Lucas, aluno da UFC, ressalta que o aprendizado será essencial para sua carreira como futuro bibliotecário.

Biblioteca pública como espaço de memória viva

A diretora da Bece, Enide Vidal, destaca que a parceria com a Escola de Artes e Ofícios fortalece o papel da biblioteca como guardião da cultura. “Restaurar é preservar a identidade do Ceará”, conclui.

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